Jogos Olímpicos Rio 2016 – Trânsito e Vida!

08/08/2016

Por Mércia Gomes da Silva*

Estamos vivendo um momento brilhante, em que todos os brasileiros estão torcendo pelo país. Devemos destacar que temos atletas paraolímpicos e estou falando deles, e especialmente por eles, para evidenciar uma relação com o trânsito. Falando com um dos técnicos da seleção brasileira de paravolêi, soube que a maioria dos atletas foram motoboys e, em razão de acidentes de trânsito, tiveram as pernas amputadas.

Triste saber que esses atletas perderam um membro, porém, lindo ouvir os testemunhos de superação, inclusive, que hoje eles lutam por medalhas para nossa nação, participam desse e de outros eventos a fim de apresentar sua história.

Trouxe esse assunto para que as pessoas possam acompanhar essas histórias; que nesse momento de tantas medalhas e alegrias, possamos lembrar que muitos atletas da paralimpíada estão como guerreiros, porém, sofreram acidentes de trânsito por negligência deles próprios ou outrem.

Recentemente foi divulgada uma pesquisa relativa ao número de mortes no trânsito:

Em 2015 tivemos diminuição de 20,6% de acidentes viários em relação ao ano anterior. Quanto aos motociclistas, os acidentes são, na maioria, por imprudência. Destacando que cada um deles que sofre um acidente, toda sua família também é prejudica, pois se sustenta com o seu trabalho.

Tanta imprudência tem uma consequência grave: em 2014, 83 mil pessoas foram internadas em todo o país por causa de acidentes com moto. Em 2008, o número foi bem menor. Em seis anos, as internações aumentaram quase 150% na rede pública – acidentes que poderiam ser evitados se quem anda de moto tivesse mais cuidado.

Uma pesquisa do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas mostrou que 88% dos acidentes com motos em São Paulo acontecem por imprudência: 70% dos motociclistas atendidos no pronto socorro acabam internados. E esses acidentes custam caro, bem caro. Em 2014, só o governo federal gastou R$ 111 milhões com os motociclistas acidentados. Bem mais do que em 2008.

“Isso implica num longo período de internação, necessidade muitas vezes de várias cirurgias, necessidades de utilização de materiais de implante. Isso tudo, no final, representa um alto custo desses pacientes”, além de muitos com tratamento psicológico, psiquiátrico para o acidentado e para sua família, principalmente mãe, e destaca–se os casos de mortes, em que a família se desestrutura totalmente”

Na obra de Maria José da Silva Amaral “Seguindo a Estrada”, a psicóloga clínica especializada em atendimento aos pacientes que sofreram perdas em acidentes de trânsito, traz diversos depoimentos de parentes e vítimas com o objetivo de fazer o leitor refletir e rever suas atitudes no trânsito. Assim ela busca o que todo especialista na área busca: paz no trânsito, educação no trânsito, sensibilidade ao conduzir veículo e respeito aos pedestres, ciclistas, motoristas, já que prosseguir é preciso.

Os especialistas em educação, fiscalização e segurança para o trânsito são unanimes em afirmar, pautados nas tristes estatísticas, que 90dos acidentes de trânsito são causados exclusivamente pelos motoristas, 6% devido às más condições das vias, 4% devido ao estado de conservação do veículo (dados divulgados na obra de Maria José da Silva Amaral).

Em 2015, recebemos a estatística que, a cada ano, cerca de 45 mil pessoas perdem suas vidas em acidentes de trânsito no Brasil. A violência envolvendo particularmente motociclistas está se tornando uma epidemia no país. Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que, em 2013, os acidentes com motos resultaram em 12.040 mortes, o que corresponde a 28% dos mortos no transporte terrestre. Nos últimos seis anos, as internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) envolvendo motociclistas tiveram um crescimento de 115% e o custo com o atendimento a esses pacientes de 170,8%.

Diante desse cenário, e diante também do momento espetacular dos Jogos Olímpicos Rio 2016, infelizmente não houve investimento necessário para publicação e divulgação dos testemunhos para todo país, onde poderíamos sensibilizar os telespectadores com uma propaganda de TV aberta durante a divulgação dos jogos (como foi feito pelo site da Ecovias) e, ainda, com a hashtag #ecodatorcida, pois sabemos que hoje em dia esse tipo de divulgação gera bons resultado.

Que os jogos nos tragam várias medalhas, que os jogos nos tragam a importância da educação no trânsito aos que vão conduzir veículos pelos trajetos e a todos os brasileiros, demonstrando que conhecem o trânsito, respeitam as faixas de pedestres. E que os atletas da paralimpíada nos tragam diversos depoimentos, seus testemunhos, para que outros não percam membros do corpo nem ente familiar.

Trânsito é vida, e não morte! Jogos Olímpicos são vida! Que possamos acompanhar os jogos, mas nunca esquecer o dever de cada condutor durante essa festa da nação.

 

Mércia Gomes da Silva
Especialista em Gestão e Direito de Trânsito – Pós Graduada pelo CEAT
Sócia Fundadora da empresa Trânsito Direito
www.transitodireito.com

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