Febre amarela e transporte

10/12/2018

Por Dirceu Rodrigues Alves Jr.*

A grande mobilidade do ser humano, utilizando os mais variados tipos de veículos, concorre para a disseminação de doenças e para a rápida transferência de um foco de infecção de uma região para outra.

Os pontos mais distantes do nosso país, cada vez se tornam mais próximos.  A evolução do transporte aproxima cada vez mais estes pontos. Até bem pouco tempo, somente através do transporte ferroviário, marítimo ou aéreo conseguíamos alcançar os pontos mais distantes. Hoje, o predomínio é o transporte rodoviário, que transita por todos os rincões desse país.

A Vigilância Sanitária preocupa-se em não deixar disseminar no país qualquer patologia que poderia comprometer a população.  Cobra-se a vacinação para tal doença (febre amarela).

Hoje, com o desenvolvimento tecnológico, a aviação civil rompe o tempo de percurso entre os pontos mais longínquos, e em curto período, visita múltiplas regiões. Essa rapidez facilita o transporte de doenças das mais diversas e nos mais variados pontos. Além de transportar os doentes e portadores de doenças, o transporte em geral é capaz de conduzir o hospedeiro intermediário e o agente vetor favorecendo a disseminação e o aparecimento de focos à distância.

Torna-se cada vez mais difícil o controle das doenças tropicais e infectocontagiosas. Sabemos que a falta desse controle vai permitir o aparecimento de epidemias comprometendo todo o país.

O transporte em geral será o responsável pela disseminação; especificamente o transporte aéreo será o elemento capaz de produzir a eclosão de focos epidêmicos quase simultâneos em toda a superfície terrestre, causando uma pandemia.

Vemos Haemagogus, Sabethes, Aedes egipty, Phebotomus, e outros sendo transportados dos focos de origem para os grandes centros urbanos através de todo tipo de transporte. Hoje, principalmente pelo transporte rodoviário.

Medidas mais concretas devem ser adotadas pela vigilância sanitária com objetivo de se fazer o combate permanente a tais insetos que produzirão múltiplas doenças infecciosas graves na população dos grandes centros.

A vigilância sanitária dos aeroportos, aeroclubes e de qualquer pista de pouso, deve ser enérgica em termos de obrigar a dedetização de tais aeronaves ao deixarem o campo de pouso de onde decolaram. Além disso, a dedetização também na chegada vai proporcionar maior garantia de que nenhum vetor está sendo trazido para um grande centro, em consequência deixamos o vetor limitado à área endêmica.

Tal conduta se aplicaria nos terminais rodoviários, transportadoras, trens, navios e individualmente por todos os motoristas que transitam por tais áreas.

Estas são medidas profiláticas, fáceis de serem adotadas, de baixo custo e que seriam executadas pelos que transitam nestas regiões.

A vigilância sanitária de cada cidade faria a fiscalização e consequentemente as punições com multas àqueles que incorrem em erros, no descumprimento das necessidades básicas em termos de Saúde Pública.

Os aeroclubes tornam-se quase sempre os pontos de desembarque dentro dos hangares de uma vasta fauna de transmissores de doenças como os vetores da Febre Amarela, Malária, Dengue, Doença de Chagas, Chikungunya, Zika e outras.

Sabemos que todas essas doenças foram extremamente combatidas durante anos, com custos elevadíssimos na faixa litorânea do nosso país. De poucos anos para cá, já ressurge a Dengue. Alguns raros casos de Malária já foram citados nesta região e até Doença de Chagas. Ressurge agora a Febre Amarela, já provocando múltiplos óbitos.

Não podemos permitir que a reinfestação venha trazer os problemas de saúde do passado, que levaram a população ao sofrimento e à morte.

Ações de motoristas, pilotos, maquinistas, comandantes de navios e barcos em geral, transportadoras, veículos de passeio, e ainda, ações de órgãos governamentais e municipais devem erradicar insetos que possam estar sendo transportados, impedindo a chegada dos mesmos aos grandes centros.

 

*Dirceu Rodrigues Alves Jr., é diretor da ABRAMET


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